UM BLOG DEDICADO AO SURREALISMO DA MINHA MENTE. COM POEMAS, SONHOS E TEXTOS.

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sexta-feira, 15 de julho de 2022

Interna(mente)

Tento não preocupar
Tento me ocupar
Mas tudo gira
Rápido e devagar

Um sorriso que esconde
Uma gargalhada que camufla

O corpo incomoda
O peito infla
O ar parece estar preso
Numa prisão de carne e osso

Tento não implodir
Tento me impedir
É algum crime
Não se manter firme?

Sorria e aguente
Eles dizem... 
"Não é tão urgente"

Se eu te contar
Qual desculpa vai dar?
Vai ficar tudo bem
"Siga em frente meu bem"

Em frente
Enfrente
Imediatamente
Não lamente

Eles não gostariam
Não mesmo
De estar na minha mente
Por um segundo ou menos

A poesia me acalma
Me acende a alma

Eu só queria falar
Mas não quero preocupar
Prefiro me ocupar
Poupar

E então não é o fim
E só mais um dia assim
Sem que eu desista de mim

domingo, 19 de dezembro de 2021

Sem açúcar

Ainda sinto a temperatura, porém me parece que estou num abrigo, numa cabana de madeira escura com frestas a entrar a luz e o frio. A tonalidade gélida do horizonte.

Aqui estou protegida sentada em uma poltrona velha de balanço. Envolta em um xale com um perfume de flores e degustando um chá sem açúcar.

Minha nada doce vida, o vento vem me receber. Antes eu queimava viva, meu estômago, minha cabeça e meu corpo inflamavam.

A suave brisa da cabana me trouxe uma esperança de paz e baixou minha temperatura. As árvores dançam lá fora de forma compassada e toda a sincronia da natureza me traz paz.

Enfim posso fechar meus olhos e descansar.

domingo, 17 de novembro de 2019

Coeur Noir


Olhos sérios e testa engiada, a olhar pela janela.
Encarava o nada no horizonte, pensava em sua existência.
A brisa quente e leve soprava em seu rosto.
Um belo rapaz passava na rua e olhou em sua direção.
Incomodada e entediada virou-se para seu próprio ombro.

Ela era fria e incomodava quem quer que cruzasse seu caminho.
A solidão sua mais antiga amante e até mesmo dela a dama se cansou.

"Não quero chuva,
não quero sol,
não quero terra,
não quero mar"

Mas no fundo o que negava era o desejo de amar.
Privava-se do contato humano, fugia de se entregar.
Fechando os olhos mergulhava num sonho, num inconsciente mundo efêmero, fugaz.

Quando acordava, um aperto no peito a tomava. Sempre o mesmo.
Tinha a sensação que a cada nascer e a cada pôr do sol, seu coração diminuía.
E a cada dia, ela tinha vontade de se mexer menos.

Doze horas de sono era pouco. Seu corpo pedia descanso.
Descanso eterno e ininterrupto.

Passaram-se dias...
Seu apartamento trancado, exceto pela janela da sala, cortinas esvoaçantes e quase se partindo.
Sua alma teria partido?

Deitada e inerte, assim fora encontrada, sem vida como sempre fora.
Somente parou de respirar.

Sua família inconsolável quis saber a causa da morte.
Suas coisas estavam intactas, mas a poeira tomava conta.

Próximo a seu quarto, um rastro de cinzas negras. Fuligem.
Sinais em seu rosto de um terrível e seco pranto. Suas feiões eram fechadas.

Abriu-se o peito da jovem. Bisturi cortando seu tecido branco.
A pele sendo dilacerada, banhada por um sangue escuro.

Do lado esquerdo do peito algo muito estranho foi avistado...
O que outrora fora uma carne saudável, deu lugar a algo espantoso.

Seu coração era pequeno e negro, um carvão que fora consumido.
Do tamanho de uma ameixa, padeceu sem amor, sem luz... e sem cor.