UM BLOG DEDICADO AO SURREALISMO DA MINHA MENTE. COM POEMAS, SONHOS E TEXTOS.

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domingo, 5 de dezembro de 2021

Alma sem flores

Você é apenas um borrão
Uma pincelada inacabada
Um sonho distante
Cheio de ilusão

Flores vivas em suas mãos
Roubadas de um jardim qualquer
Sentimentos tão mortos quanto seu olhar
Nada em ti soa real

Suas mãos são um convite
Para um precipício

As raízes
Nem sequer as cortou

E o que sabe sobre raízes?
Sentimentos que nunca provou

Eu fingi para o nosso nós florescer
Eu fingi para tentar caber
Eu fingi para ver um sorriso

Eu plantei naquele jardim morto
As sementes mais preciosas
Elas nasceram belas sem alma
Enquanto eu olhava para os céus
Você envenenou todas as rosas

Quando eu me senti inundada por ti?
A única invasão era seu toque insosso
Seu beijo frio e calado
Seu toque esquivo

Olhava-me nos olhos
Como quem quisesse dominar
Eu me fiz fantoche
Para que pudesse se alegrar

Quando foi que eu sonhei um sonho
Que real nunca poderia se tornar?
Quando eu me deixei ser seu jardim?
Onde plantou suas sementes podres

Eu me deixei morrer
Para reviver como sua boneca
Eu te amava a ponto
De esquecer que eu estava viva

Você entrou na minha vida como o sol
Com sua presença desmedida
Inundou minha alma com calor
Inundou minha essência com amor

Armadilha
Numa trilha
Numa via
Sem saída


* Baseado na música "Fake Love", BTS.



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Um anjo que morreu de raiva



Um anjo que morreu de raiva... Assim foi queimado pelo seu ódio.
Tentando acreditar que tudo se resolveria, que daria certo.
Permitiu dar-lhe quantas chances fossem precisas e falhou em todas elas.
Ele olhava precipício abaixo, balançava. Sua garganta seca.

O vento forte empurrava seu corpo, que resistia.
Uma pedra cai e se estoura no chão, lá longe.
Gritava como se fosse explodir.
Tudo saira de seus planos. Tudo foi pelos ares.

Uma bomba atômica em sua vida.
E o amor que nunca existiu, jamais lhe apareceria.
Ele tentou acreditar, tentou se entregar.
E acabou com uma grande lança no peito.

Sua ferida aberta e exposta ao sol.
Mas a dor não era maior que seu ódio corrosivo.
Corroía tudo e se preparava para tomar sua vida.
Balançou e seus pés não o deixaram escorregar.

Sentia medo e vontade. Queria de vez acabar.
Seu corpo a oscilar e seus gritos a se calar.
O sangue lhe escorria e a roupa colava e quase se arrebentava.

Deu um último urro! Olhou para os céus e blasfemou.
Renunciou tudo e todos. Arrancou a lança e jogou-a em Deus.
Respirou ofegante e seus sentidos se perderam.
Deu um impulso e pulou!

De olhos fechados sentia o vento passar dentro de si.
A pressão do ar contra seu corpo e a gravidade.
Tudo passava pela sua cabeça e pensou que já se separava de sua alma.
O peito se apertou e a queda foi inevitável.

Mas suas asas se abriram. E ele voou.
Foi pairando e a consciência voltando.
A lança atravessou suas mãos.
E ele agradeceu.


* Baseado na música "Ódio", Luxúria.

domingo, 12 de setembro de 2010

She's lost control


Ela perdeu o controle de novo. E perdeu as esperanças. Perdeu-se em tudo o quanto poderia perder. Andou sobre os trilhos e parada pensou: "Como seria andar sobre as nuvens?". Esperou pelo que a levaria até lá. Foi pulando de dormente em dormente se equilibrando. "A vida é demais para mim". Queria brincar com o perigo. Amou o tanto quanto podia amar, odiou na mesma intensidade. Nada mais cobria o vazio que ela criou para si. Ela perdeu o controle de novo. Seus braços abertos como se pedisse rendição. O vento quente tentava agradá-la. Nada mais fazia sentido. Em seus olhos nada além de um olhar perdido. Em sua boca jaziam gritos aturdidos. Fora pressionada tanto quanto aguentava. E agora seu corpo era somente um corpo. Ela perdeu o controle. Só lhe restava uma música em seus ouvidos e ela a balbuciava calmamente: "She's lost control, she's lost control again, she's lost control...". Olhou para o sol da tarde. Pensava se podia aquecê-la. Usou de sua morbidez para se tornar feliz. Seus parentes achavam-na esquisita. Ela achava felicidade na tristeza. Deu um pulo e se abraçou. Seus medos haviam se perdido. Os exageros eram mínimos perto do que sentia. Sua pele rachada se partiu. Sua mente embaralhada não deixava-a pensar. Ouviu-se um apito. Ela girou e perdeu o controle de novo. Cansada, deitou-se nos trilhos.


*Baseado na música "She's lost control", Joy Division.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ela encontrou um novo desejo...




A música da minha vida. Me descreve totalmente, o que sempre fui e o que sempre senti. Mesmo sendo feliz e aproveitando a vida... Sempre busco um novo desejo... tão turvo que não me satisfaz nunca, então me perco e me afundo. Aproveito minha confusão e mergulho em meu âmago... danço comigo mesma e me sinto viva. O dia em que reparei na letra... me vi flutuando nas notas musicais...


ENFIM!


Desire, Tristesse de La Lune.


[Desejo]

Sua vida permanece
Ela esperou por si mesma
Tentou esquecer
O que um dia foi
Este caminho é muito longo
Ela não conseguiu se encontrar
E sua vida mudou

Ela encontrou um novo desejo
E não conseguia o suficiente
Ela diz: "Estou perturbada"
É muito difícil para mim

A lua dançava ao seu redor
Ela se sentiu tão viva
Mostrou o que ela poderia ser
Ela voou alto demais
Pelos céus vazios e
Repousou nas estrelas

Estou enlouquecida
É demais para mim
Me empurrou para baixo
É algo em minha mente
Ninguém pode me curar
Eu encontrei um novo desejo
E não conseguia o suficiente

Sonhou consigo distante
Esta vida não parecia real para ela
Tomou decisões erradas
E não consegue encontrar uma saída
Ela arruinou-se e
Não ver o que deu errado
Isso não significa para ela


A tristeza da lua me contagia sempre... Me olha de uma forma estranha, como se pedisse para lhe acolher. Sempre nos vemos uma na outra e sua luz me banha com um frio solitário. É a doença sem cura. A beleza sem forma.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Agônico, o Canto - Zé Ramalho

Deixa-me dizer-te o quanto
Eu te quero agora, juro meu amor
Nada me fará temer
Se quando eu te beijo, viro um beija-flor
Todas as palavras ficam
Tão obsoletas quando vou tentar
Algo que contenha a fórmula
Desse desejo louco se queimar
Nossa viagem nunca vai se acabar
Todas mensagens estarão sem afastar
Duas miragens que farão se apagar
Uma imagem num clarão vem acalmar




Uma poesia belíssima sem dúvida. Tocou-me de tal forma, praticamente o que estou vivendo. Me lembra algum movimento literário... talvez... Trovadorismo? Se bem que se fosse, seria cantiga de amor, e nessas o amor é platônico... é, acho que preciso estudar mais!!

domingo, 29 de novembro de 2009

Um lugar na sujeira

Essa é a tradução do título do blog... Por que "um lugar na sujeira"?
A internet é em si uma grande sujeira, uma grande lixeira onde achamos pesquisas abandonadas, artes decadentes, textos inúteis, pornografia, pedofilia, crimes em geral. Mas como numa lata de lixo, encontramos coisas aproveitáveis, que foram descartadas por alguém que as achava inúteis ou já com o propósito de serem encontradas.
O mundo é uma grande sujeira, e esse espaço é um lugar nessa imundice, onde posso descartar o que me aflige... Descarto coisas boas também e espero que estas principalmente, sejam encontradas.

"A Place In The Dirt" para quem não conhece, é uma música de um cantor que admiro muito, em todos os aspectos: Marilyn Manson. Já devia ter colocado a origem do nome do blog desde o começo, mas sabem como são as coisas... (rs)

Aqui está a tradução e em seguida a letra original juntamente com a música em si:

Um Lugar Na Sujeira
.
Estamos condenados e estamos mortos
Todos os filhos de Deus vão ser enviados
Para nosso lugar perfeito no Sol
E na sujeira
.
Há um pára-brisa no meu coração
Somos insetos tão manchados e marcados
E você poderia nos fazer parar de pensar
Antes que eu engula tudo isso?
Você poderia por favor?
.
Me ponha no desfile de carros
Me ponha na parada da morte
Me vista e me leve
Me vista e me faça
Seu Deus moribundo
.
Anjos com agulhas
Furando nossos olhos
Deixe a luz feiado mundo entrar
Não somos mais cegos
Não somos mais cegos
.
Me ponha no desfile de carros
Me ponha na parada da morte
Me vista e me leve
Me vista e me faça
Seu Deus moribundo
.
Agora nós sustentamos a "cabeça feia"
A Prostituta Maria está na cama
Eles fizeram sombra da nossa morte perfeita
No sol e na sujeira

.




A Place In The Dirt
.
We are damned and we are dead
All god's children to be sent
To our perfect place in the sun
An in the dirt
.
There's a windshield in my heart

We are bugs so smeared and scarred
And could you stop the meat from thinking
Before I swallow all of it,
Could you please?
.
Put me in the motorcade
Put me in the death parade
Dress me up and take me
Dress me up and make me
Your dying god
.
Angels with needles
Poked through our eyes
Let the ugly light
Of the world in
We were no longer blind
We were no longer blind
.
Put me in the motorcade
Put me in the death parade
Dress me up and take me
Dress me up and make me
Your dying god
.
Now we hold the "ugly head"
The Mary-whore is at the bed
They've cast the shadow of our perfect deat
Hin the sun and in the dirt
.

De certa forma um retrato doentio do mundo.

Um dia a cura chega... Enquanto não...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Eu sonhei um sonho

Houve um tempo em que os homens eram gentis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma música
E a música era excitante
Houve um tempo... e de repente tudo ficou errado
Eu sonhei um sonho em um tempo passado
Quando as esperanças eram grandes e a vida valia ser vivida
Eu sonhei que o amor nunca acabaria
Eu sonhei que Deus seria misericordioso.


Eu era jovem e não tinha medo
Quando os sonhos eram realizados e usados e jogados fora
Não havia resgate a ser pago
Nenhuma música sem ser cantada, nem vinho não degustado.


Mas os tigres vêm a noite,Com suas vozes suaves como trovão,
Enquanto eles despedaçam sua esperança
Enquanto eles tornam seus sonhos em vergonha
Ele dormiu um verão ao meu lado.


Ele preencheu meus dias com maravilhas sem fim,
Ele levou minha infância em seu passo
Mas ele se foi quando o outono veio.


E ainda assim eu sonhei que ele voltaria para mim
E que viveríamos os anos juntos,
Mas existem sonhos que não podem ser sonhados
E existem tempestades que não podem passar.


Eu tive um sonho que minha vida seria
Tão diferente deste inferno que eu

Tão diferente agora do que parecia

Agora a vida matou o sonho
Que eu sonhei.





Os Miseráveis


PS: Essa música é muito linda e muito tocante, tanto a original de Los Miserables, quanto a versão de Os Miseráveis. Tanto a melodia é simplesmente perfeita, e ganhou um toque especial na voz da cantora Suzan Boyle que teve seu vídeo assistido pelo mundo todo. E não poderia deixar de postar aqui o link para o vídeo dela:

http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo

Até Mais ver!