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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um dia... há de ser.



Sua beleza e excentricidade encerravam-se em si mesma. Horas frias da madrugada, pela cidade a vagar, pelas alcovas a entrar. Era dona de uma beleza rara, dotada de tons escuros e amargos.

O afago que a desejava, a boca que a tomava, o corpo que lhe reclinava. Tantos eram os rapazes, tantos eram os prazeres. Onde passava se fazia notar, seu esplendor era de matar.

Recebia elogios, flores e pedidos. Ainda assim seus olhos inexpressivos perdiam o brilho a cada piscar. Sua janela, sua companheira de espera, espera por algo, que para ela não existia.

Seus encantos, tantos e tantos. E seu pranto, sofrido pranto. De dama vistosa que nunca seria amada. De mulher independente que no fundo não era respeitada. De admiradora de muitos que ao fundo de uma bela imagem não passava.

Diziam-lhe os rapazes, que seus gestos eram fugazes, ferozes e selvagens. Efêmera era sua passagem, na vida de cada moço, cada jovem ou ancião... Ninguém a guardava, não. Era dama exótica de palavras bem colocadas, era moça irreverente de olhar atraente, era garota inocente e era mulher madura e reluzente. 

Para amores rápidos de tudo servia, para se ter ao lado a jóia, a fantasia, para se deliciar em sua alcova a dama servia. Para amá-la ninguém a queria.

Sentava em sua janela e pensava chorosa: "Que vida é essa, sou bela, formosa! De troféu me fazem bem, mas de esposa...? oh morrerei sem... Sou um pavão, um enfeite, uma mostra. Sou uma obra de arte, um quadro ou aposta. Sou o ouro no anel do barão, sou a seda da gravata do homem polido, sou a mulher ao seu lado que lhe faço brilhar... Mas haverá um dia alguém de me amar?".

Noite adentro a dama esperava, pela noite fria andava depressa. Procurava carinho no braço de estranhos, procurava um brilho em seus olhos castanhos. De nada valia ser tão subversiva, tão livre e tão decidida. 

Se todos os seus casos na mesma frase acabavam: "Minha esposa me espera, não posso deixá-la. Você é incrível alguém virá para amá-la.".

Era aceita. Era eleita. Era perfeita. Ninguém a rejeita. Ninguém a vê além do que se pode. Os preconceitos haviam a jogado no limbo. Onde os homens passam e admiram, porém nenhum a estenderá a mão. Era só ela e seu vazio coração.

Era uma mulher exótica e por isso sozinha. A beleza que se encerra no mesmo instante em que admira.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carta à impotência

A pornografia me tira do tédio. Eu faço sexo com estranhos para não me lembrar de sua impotência diante de mim. Sua falta de caráter e suas caras monótonas. Eu me vendo quando sei que você não está querendo me comprar.

Fico horas olhando para você na cama ao meu lado imaginando formas de te matar. Formas de desligar seu corpo e socá-lo num freezer. Abrir quando sentir saudades.

Imagino quando eu te toco e você se esquiva como se eu fosse aquele velho pervertido que te tocou na infância. Tudo que tentei foi te amar e ganhei seu eterno escárnio.

Entro nos sites pornográfico equanto você toma banho, assim consigo ter algum prazer. E você volta nu e me encarando, sabendo que fracassa enquanto homem. Enquanto ser humano. Ah se eu estivesse falando somente de sexo.

Acesso esses bate-papos e marco encontros e você acha que estou sempre lendo meus e-mails, marcando visitas técnicas. Eu abuso da sua ingenuidade, da sua pureza e da sua burrice.

Faço sons exagerados quando você me toca, mascarando meu nojo. Me sinto sozinha estando ao seu lado, pois é tão nulo quanto aquele zero que se vai à esquerda, do qual podemos nos desfazer somente usando o ponto.

Te imagino chorando desesperado, fazendo drama ao saber que mantenho relações com aquele seu amigo. Quando nós transamos e eu digo seu nome e nós caímos sempre na risada.

Às vezes tudo me causa remorso e me pego olhando para ti enquanto fuma. Dou-lhe um beijo no rosto e sinto seu gosto insosso. Nunca tem reações, se parece com um homem de lata. Somente as tem quando te ameaço e se põe a tremer.



Como pode ser assim? Como pode querer viver assim? Sei que nenhuma outra pessoa te interessa tanto quanto eu. Mas gosta de viver consigo mesmo e de me prender em sua vida sem graça. Com seu sorriso sem graça. Com sua impotência diante de mim.

Sua irmã veio ao nosso quarto e fez o que você não faz. Eu comi aquela prostituta barata no dia que disse que ia sair com uma amiga.

Sexo... se fosse só isso o que procuro por aí. Você não me dá nada, nem o básico, nada meu querido. Tudo o que tenho é o que mendigo pelas noites, é o que compro, é o que vendo de mim.

Suas partes já adormeceram pois sabem que quando acordam não conseguem se manter até o fim. Essa é a sua forma de dizer que tudo acabou, mas é tão covarde que não consegue se desligar.

Já te disse adeus umas quinhentas vezes... E como uma garotinha assustada só sabe dizer 'não me abandone'. Não sabe viver abandonado à própria sorte, mas me limita a viver assim.

Estando com você ou com um dildo, não faz muita diferença, a não ser que o material é reciclável.

O inferno está entre nós a tempos e nossos anjos já foram prostituídos. Perdemos. Perdemos faz tempo meu querido. E onde estão os que virão nos escravizar? Os que virão pilhar nossos bens? Que virão estuprar nossas mentes com suas mentiras vazias?

Qual a próxima desventura? Com tantos pontos ruins ainda não vê que seu reino se desfez? Que suas crianças são vendidas para seu inimigo? que sua esposa dorme na cama de outro rei?

Está cego demais para ver além de seu próprio falo semi-morto.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Carta à demêcia

O mundo se desfez em questão de segundos. Você estava a me olhar de longe. Como sempre esteve. Eu cansada dessa monotonia, desse desenrolar todo. Suas palavras sempre me soam como santas e quando as ouço encontro um caminho. Você foi meu deus em alguma era. E as vozes em minha cabeça se excitam com o som de sua voz e sua melodia.

Eu não fui anexada ao mundo dos outros. Estou sozinha e à parte, minhas cicatrizes abrem a cada acorde de sua guitarra maldita. E mesmo suas palavras que escondem tantos significados, me soam vazias.

Ao meu redor somente pessoas vazias, cheias daquilo que não serve para nada. Sem atitude, sem ideologia, somente o que as leva de um lado para o outro. EU ODEIO e o ódio impregnou em mim. Com todos esses anjos ao meu redor, todas as cartas ilustradas com formas angelicais, eu sinto o puro ódio de ser uma fracassada nesse mundo tão idiota.

Agora que encontrei sua xérox quebrada é tardio... muito tardio, pois fui contaminada pelo bicho da verdade, das paredes de vidro, que enxerga as coisas e não passa por cima delas. Evolução!!!!

Eu os odeio! Esses que não saem de seus lugares, que não fazem nada, que me atrapalham.

Eles iriam preferir que eu estivesse morta mesmo. Eu me sinto linda às vezes e fútil e mascarada para me igualar à eles, para fugir da minha neurótica visão do mundo.

Você sempre esteve aqui para me salvar e me reerguer, quando penso que sumiu... Você vive num canto obscuro da minha mente doentia. Da minha mente fantasiosa, desse teatro que existe aqui nessa caixa cheia de massa e sangue.

Te odeio por me fazer assim, por aumentar as vozes na minha cabeça. Eu odeio o amor eu amo o ódio, isso foi o que aprendi contigo! Satisfeito?

E não mais vou sorrir quando o demente voltar, quando me perturbar. Quando vier com sua vida vazia, se encaixar na minha, quando quiser fornicar! Que vá fornicar com o diabo!

Para o inferno!

O tanto que evoluí e me pacifiquei em poucos dias, tudo quebrado. Se assim queria, conseguiu. BASTARDO!!!

Eu me entupo de remédios para olhar para a sua maldita cara! Eu pago analista para poder te ouvir e não vomitar! Eu te odeio por ter que te odiar. Porque é tão patético que eu gosto de me afrontar.

E você, meu deus da loucura. Quando estou para cair me empurra do precipício, empurra-o também. Que se espatife. Vou rir!

Vou rir de você se mijando de medo de mim, porque no fundo sei que é um completo covarde, nada mais do que completo.

Sua torre gigantesca não te garante o direito de ser dono de tudo ao redor, presunção... Acomodação. Como pode ser tão nulo? Não enxerga sua própria merda em meio a toda essa realeza, ao seu olhar superior.

Nasceste à semelhança do meu deus, mas ele vale de algo, ele é completo, ele tem tudo o que você não pode sonhar em ter. Você é o bobo da corte que nos faz rir.

Está dopado por essa sociedade de merda! você não serve para mim você é uma droga! Eu não gosto das drogas, mas elas gostam de mim. Seu merda!

Eu grito palavras de baixo calão e depois me toco intimamente, sou tão imunda quanto a sua cara de culpa, dor ou de ser que não sabe se expressar. Deveria se vender para valer algo.

Por fim, sei que vai voltar com sua demência. Não digo que será tarde, será cedo... terá vindo cedo demais para assistir suas própria morte. Não me subestime, hipocrisia não faz parte do meu repertório, enfie suas malditas palavras doces em seu rabo.

Foda-se seus atos inúteis e suas tentativas frustradas de me domar de alguma forma. Ele criou um monstro, uma fera que vai te estraçalhar, com um doce sorriso angelical no rosto.

Eu já estou aí dentro, já te parasitei como um verme. Mesmo que se livre de mim, estarei em suas entranhas quando morrer, quando sentir as dores vai lembrar da minha existência que para você não passou de nada. De verme mesmo.