Queimo vossa face rubra,
Antes que teu corpo cubra.
Antes que a paixão perdura,
Encontro em teu seio a cura,
A cura para minha loucura.
Ah se foste assim perfeito,
Teu corpo nu em meu leito.
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domingo, 27 de novembro de 2011
A virgem de Nero
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Nero e Eu II

Perdemos o sentido?
Não te dou mais ouvido?
O que há, Nero querido?
Eu que tenho te escondido?
Ou eu que ando deprimido?
A vida confusa e os sentidos.
Não quero calar-te
Não quero afastar-te
De tudo fizeste parte
Nero, amor!
Como se não bastasse o calor
Não bastasse o clamor
Nero, sem ti eu não sou
Uma parte que me faz sonhar
Outra que me faz amar
Todas a me entregar
Estou aqui a desabafar
Dá-me ouvido
Meu querido
Iludido
Aturdido
E assim vamos vivendo
A sua loucura te conduzindo
Minha neurose nos consumindo
Assim vamos nos munindo
Unidos contra o mundo
Contra o meu ódio profundo
No âmago destruído
Num amargurante gemido
Nero, dá me ouvidos?
Eu toco sua lira profana
Eu queimo sua cidade insana
Abraçados ao caos de nossas almas
Aqui Nero, me acalma
Me salva e me toma
E o prazer assim retorna
Na concha infernal que nos deu a forma
domingo, 21 de novembro de 2010
Nero [e eu]

Nero me queima
Com a loucura nos olhos
Tocando sua lira
E com um sorriso incandescente
Nero me acendeu
E me pôs a dançar
Com uma das mãos me girava
Ainda a tocar
Incitava o caos
O fogo se alastrando
Senhoras pedindo
'Salvem a moça'
Me deixem queimar
Queimo em rodopios
Nero, querido
Toque outra nota
Está louca
Está morrendo
Dançando loucamente
Trouxe-me uma taça de vinho
'Beba, querida'
E o fogo consumia
E o corpo ardia
Toma-me!
Toca-me!
Queima-me!
Nero está em chamas...
E deseja queimar tudo ao seu redor
E o fogo consome
O monumento
A cidade
O homem
Nero dos olhos vermelhos
Do corpo queimado
Da lira em cinzas
Poeira nos ventos
Era Nero e eu
Loucos amantes do fogo
Tudo ruíra
Como nossa mente no chumbo
Como o vinho se espalhando
No silêncio taciturno
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